somos o que (quem) amamos

Manaus, 2014.

Fotografando o casamento da Rosi e do Filipe, a vida me presenteia. Em um momento só seu, a Rosi para tudo que está acontecendo, pede licença para maquiadores, videomakers, cabeleireiros e vai para a suíte maquiar sua vó. Abro meus olhos e meu coração acelera.

Ela põe ali amor, carinho e cuidado, para que a vó fique quentinha, linda e pronta, pelas suas mãos, para o casamento.

Eu, fotógrafo, nessa hora, entre lágrimas e concentração absoluta, tento construir minha foto exatamente com aquele amor, aquela generosidade e entrega do gesto da Rosi e principalmente com a essência da relação delas.

Porto Alegre, mesma época.

Minha vó vive conosco em casa, seus últimos meses de uma vida que foi longa, mas sofrida em vários momentos.

Eu, fotógrafo e neto, construo um documentário daqueles tempos quando a prioridade absoluta era dar carinho e conforto à minha vó, dona Zulmira.

Minha vó já se foi, mas as fotografias guardam os últimos tempos dela conosco. Ainda não consegui juntar todas as fotos que fiz naquela época. Mostrei uma ou outra, mas sinceramente, ainda não consigo colocá-las juntas. Fotografias levam tempo para ser construídas e compreendidas.

Somos o que (quem) amamos. Nossos olhos atentam para o que nos é valioso.

Nas imagens que crio todos os dias, está tudo que me é valioso. E naquele dia em Manaus, minha vida de neto e de fotógrafo se misturaram para que eu pudesse entender o que acontecia na minha frente, e fosse capaz de criar para a Rosi uma página da história dela que vale mais que qualquer tesouro, enquanto em casa, construía imagens importantes e verdadeiras para mim, para minha mãe, e para a história da nossa família.





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